Gravações de “Deixa que te leve” em Arcos de Valdevez muda rotinas e atrai turistas a rodos
Que a novela “Deixa que te leve” da TVI iria deixar rasto no concelho de Arcos de Valdevez, onde decorreram parte das gravações, já os responsáveis da autarquia local calculavam quando se decidiram apoiar a produção.
Nunca imaginaram foi que a divulgação das imagens do concelho provocasse um verdadeiro fenómeno de visitas à região. Que o diga Francisco Araújo, autarca de Arcos de Valdevez há 16 anos e que durante os quase dez últimos meses testemunhou, por vezes da janela do seu gabinete e outras a poucos metros dos actores, a grande agitação gerada pela rodagem de cenas em locais públicos como o Largo do Município, frente ao edifício da câmara. E viu também a pacata vila ser invadida, principalmente, aos fins-de-semana, por autênticas multidões à procura de pisar o chão dos cenários da telenovela da TVI.
A poucos dias de o elenco de “Deixa que te leve” abandonar definitivamente o verde Alto Minho, Francisco Araújo não tem dúvidas de que os benefícios trazidos por esta produção da Plural foram gigantescos, ainda mais quando o investimento do município foi “reduzido”. “Nada que se compare com o que passou na Madeira, nem nós tínhamos recursos financeiros para isso”, referiu o autarca, aludindo ao facto de o Governo Regional ter de pagar do próprio bolso cerca de meio milhão de euros relativos ao alojamento dos actores e equipa técnica da telenovela Flor do Mar numa unidade hoteleira do Funchal. “Os nossos custos foram substancialmente reduzidos porque em Arcos de Valdevez há uma escola profissional com cursos ligados à Restauração, Mesa e Bar e que tem um hotel-escola, e o alojamento foi feito aí assim como grande parte da alimentação. A câmara pagou por essa prestação de serviços qualquer coisa como um pouco mais de 60 mil euros”, garantiu Araújo, frisando que, além disso, o município apenas terá prestado “apoio logístico”.
Os resultados estrondosos em termos de audiências desta novela (os episódios dos últimos dias foram vistos por cerca de milhão e meio de pessoas e tem tido um “share” próximo dos 50%) têm, de resto, feito milagres na movimentação turística da pequena vila minhota. “Nunca imaginei”, afirma o presidente da câmara de Arcos, prosseguindo: “Inicialmente a nossa opção foi de aproveitar a novela para divulgar o concelho atendendo a que diariamente se iria falar em Arcos de Valdevez na televisão e em horário nobre. Nunca tivemos a ideia que o retorno seria quase imediato. Um ou dois meses depois de começar a sua exibição começou a verificar-se muito movimento e isso foi bom para o município”, explica. “Nunca tanta gente visitou o concelho, isso é bem visível. Nós sentimos isso ao longo dos meses”.
Do tempo de produção, Araújo irá guardar histórias como a do dia em que a simulação de um incêndio numa habitação durante as gravações virou coisa séria. “Eu estava lá, por acaso, nesse dia e tivemos que chamar bombeiros e tudo”, recorda divertido.
in JN