A RTPN completou, há poucos dias, cinco anos de existência. Pretexto para serem anunciados quatro novos formatos. Carlos Daniel, director-adjunto, fala do canal como uma alternativa, que dá voz à parte do país esquecida, e que usa a Internet como aliado para ir mais longe.
O "slogan" escolhido para marcar a data, "Quem nos viu e quem nos vê", traduz, segundo os responsáveis, a maturação e o "consolidar da imagem", enquanto canal vocacionado para notícias. Carlos Daniel, director-adjunto, mostra-se confiante com o projecto.
Porquê realizar a festa de aniversário em Lisboa quando as infra-estruturas principais do canal estão no Porto?
Por uma razão prática. Sobretudo pela possibilidade de juntar mais gente. Depois, porque foi possível que grande parte da emissão se fizesse desde Lisboa e porque somos um canal com vocação nacional, independentemente de ser dirigido a partir do Porto. Nem tudo tem de ser dirigido de Lisboa, nem tão-pouco tem de haver um complexo regional de que tudo tem de se passar no Porto, só por a nossa espinha dorsal estar lá.
Que balanço faz da reestruturação do canal?
É positivo. Mas o nosso ponto de vista é relativamente parcial, pois fazemos parte dele. Porém, o melhor ganho terá sido as pessoas identificarem definitivamente a RTPN como canal de notícias da estação pública. Além disso, os resultados de audiências têm vindo a subir gradualmente, ainda que desejemos que cresçam mais. É muito importante a percepção pública de um canal que acaba por ser uma alternativa dentro do género pela capacidade de mostrar mais país do que habitualmente se vê.
Está associado à RTPN o conceito de jornalismo de proximidade?
Parece-me que cada vez mais os espectadores estão perto das notícias e nós buscamos essa aproximação ao público. Particularmente, no "À noite as notícias", ao termos a preocupação com a Internet, abrindo essa janela - no fundo são três "N": noite; notícias e net - a ideia foi justamente fazer sentir às pessoas que a opinião delas é válida, e incitar à participação. Obviamente que quando se tem uma máquina de produção como se tem, espalhada por todo país, com ligações às várias capitais de distrito, com presença dos correspondentes, ter um canal de notícias que canalizasse este potencial único era uma obrigação.
O poder da Internet estará a sobrepor-se ao da Televisão?
Não me parece. Há 20 anos, dizíamos que a Internet era o futuro. Hoje a Internet é o presente. Será que está a tomar conta da Televisão, ou, pelo contrário, será a Televisão que está a tomar conta da Internet? A Ielevisão não pode alhear-se de um instrumento que nos potencia como um canal mundial. Não faz sentido virar- -lhe as costas. O Mundo está a mudar, há muita gente que chega à Televisão através da Net. É um vizinho que pode ser um aliado e não inimigo.
Num país pequeno como o nosso, cabem três canais de notícias?
Havendo público e quem os procure, sim. Existe aquela discussão acerca da duração dos telejornais. ora, nós só estamos a corresponder às expectativas do público. Portugal é um país muito particular. Não é normal que os canais de notícias liderem no cabo.
Há um genuíno interesse do português em estar bem informado?
De uma minoria, sim. Mas trata-se de uma minoria realmente interessada. As audiências mostram que há crescimento da SIC Notícias, da RTPN, e até da TVI 24, que tão recentemente inaugurou emissões.
Há receio da concorrência da TVI 24, tomando como premissa o facto de a TVI ser líder entre os canais em aberto?
A marca RTP tem uma força muita grande. É evidente que a RTPN surgiu com um atraso em relação à SIC Notícias, também com uma gestão diferente, não se tendo assumido logo como canal de notícias. Hoje parece-me que podemos dizer, depois de cinco anos, que a RTPN tem a imagem consolidada.
Quando se celebrar o 10.º aniversário, crê que já estará taco-a-taco com a SIC Notícias a nível de audiências?
Espero que tal aconteça. Há hábitos que estão inculcados, logo, será um processo gradual. Deve ser elogiado, com atenção, o facto de a SIC Notícias ter a qualidade e o mérito de ter sido a precursora de uma transferência dos principais espaços noticiosos para o cabo. Quando se faz bem, é mais difícil superar. Temos de tentar fazer um produto igualmente bom. Estou feliz por já conseguirmos repartir. Creio que, se não houvesse RTPN, o país seria diferente, e isso marca a diferença.
Recuperando o pequeno diferendo com a Zon. Ficou tudo esclarecido?
Não estive na negociação. Houve uma alteração da frequência, estamos convencidos de que nos prejudicou e o mês de Abril foi sintomático disso. Mas não comento se foi, ou não, um ataque concertado.
Dos quatro novos programas da grelha, um deles é dirigido por José Rodrigues dos Santos. É incomum que um pivô abrace um projecto de índole cultural…
A ideia foi essa. Tentámos canalizar o seu potencial e os seus contactos. "Conversas com escritores" vai ser um programa de entrevistas, despretensioso, a autores internacionais. Não é o tradicional formato de livros. Depois há outro programa que acarinho particularmente. "Nobre povo", que foge à etiqueta da romaria do país profundo. Trata-se de um retrato dos protagonistas que fazem a história daquelas zonas, feito de forma leve, bem disposta, mas com rigor. "Correspondentes RTP" entronca-se na senda de aproveitar os meios que temos lá fora.
E o programa que vai apresentar, "Navegadores.pt"?
Foi um conteúdo proposto para a RTP Internacional que, como não passa cá, foi decidido que seria também exibido na RTPN. Está a ser um desafio conversar com pessoas com um trajecto bem sucedido dentro e fora de Portugal. Portugueses de sucesso que tiveram um trajecto relevante, como Carlos do Carmo, Manuel Cargaleiro ou o Maestro Vitorino de Almeida.
in JN
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