Canção da Geórgia afastada

Eurovisão desqualifica tema que parece troçar de Putin.TóZé Brito acha reacção exagerada e Poiares defende-a.

“We don’t want put in, the negative move, is killing the groove”, não se fará ouvir no Festival da Eurovisão. A referência traiçoeira da canção da Geórgia ao presidente russo não passou o crivo da organização que a desqualificou.

“Não queremos ‘Putin’/energia negativa/ está a estragar a onda”, cantado por Stephane &G, foi visto como um jogo de palavras pernicioso. E a Sociedade Europeia de Difusão informou a televisão da Geórgia de que a letra infringia o regulamento do concurso, propondo-lhe então dois caminhos: alterar os versos ou escolher outro representante para levar a Moscovo, cidade onde se realiza a 54ª edição deste Festival, em Maio. Mas a Géorgia preferiu não acatar as alternativas. Ontem, ao fim da tarde, anunciou que preferia ficar fora do concurso.

Censura ao conteúdo de uma canção ou simples cumprimento de normas divide os seguidores das peripécias que normalmente envolvem este certame. Tozé Brito, compositor e produtor, é contra qualquer tipo de censura, ainda que admita que o insulto seja de evitar. “Deve imperar o bom senso e compreendo que haja limites”. Em relação a este caso em particular, parece-lhe que a reacção da Eurovisão foi “exagerada”, acabando por ter o efeito contrário: “Está a transformar-se numa vitória política maior para os autores da canção já que conseguiram converter-se em notícia em todo o lado”.

O “pai” da primeira banda “girls band” Doce, que, chegou a ver três temas seus na Eurovisão, através de Gemini, as Doce e Adelaide Ferreira, vê esta letra apenas como “um trocadilho, nada mais do que isso. Tinha sido mais inteligente não lhe ter ligado muito”.

Para José Poiares, coordenador do projecto da Festival da Canção e chefe de delegação que se desloca à Rússia, esta frase “deve ter sido entendida como uma provocação” e “sendo o concurso um evento onde participam 43 países, as regras têm de ser cumpridas”. Se assim não for, dada a projecção do evento, “podem surgir problemas entre os países e dar-se uma natureza política ao Festival que não é sua intenção ter”.

Na selecção nacional, explica Poiares, não tem sido preciso recorrer a qualquer tipo de ajuste às letras apresentadas a concurso.

in JN
YouTube Preview Image

Sobre admin